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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Andamos a trabalhar para.....

A sensação que eu tenho tido ultimamente é de que agora trabalho para pagar contas de bens materiais.  Na década de 70 os  pais trabalhavam para por comida na mesa dos filhos; agora nós trabalhamos  para pagar contas de bens !!!!
È a renda da casa; a prestação do carro mais a comidinha dele; as contas da luz e da água e por fim a conta do supermercado – isto se entretanto não aparecer antes  a conta da roupa de marca e dos telemóveis xpto.  E não convém lembrar dos seguros , de certos impostos e os livros escolares.

Se antes os pais trabalhavam para dar a melhor alimentação possível aos filhos , os pais de agora querem dar o mundo e poupam na paparoca, que “agente com uns hambúrgueres safa-se”.

As prioridades das famílias definitivamente  mudaram; á geração dos vintes faltam bases para crescerem  de forma sólida.
Toca a comprar,  porque me apetece e depois logo vejo como pago!!!   
Ainda há pessoas que se podem dar ao luxo de comprar o que bem lhes apetece, mas a maioria vive neste momento de aparências e tenta a todo o custo evitar mostrar aos filhos que não tem pão para lhes dar.

Os meus avós passaram muita fome; os meus pais andaram descalços até aos 10 anos e tinham de dividir a pouca comida que havia entre todos.
Eu, já tive a sorte de poder viver numa casa onde nunca faltou pão e sopa nos momentos piores.
Os filhos da minha geração neste momento têm no futuro uma grande incógnita e falta-lhes as armas e a vontade para lutar.
Estamos de volta  a uma situação cíclica que eu  e mais alguns  viveram no auge da  adolescência; a minha família passou por privações grandes com bastantes dificuldades para pagar a renda da casa e salários em atraso, conseguindo dar a volta com  as armas e força de vontade que tinham á mão.

Esta geração que agora está a terminar  cursos para além de não ter perspectiva de emprego, muitos já tem familiares no desemprego, casas penhoradas e estarão certamente a viver situações complicadas para quais não receberam orientação para lutar.
A geração que conseguiu ter acesso a tudo agora não consegue por comida na mesa dos filhos, mas terá certamente boas casas, bons electrodomésticos, um bom carro, e o  frigorifico vazio.
Estão cheios de teoria e falta-lhes  coragem e audácia para deitar mãos ao trabalho e aprender!
Voltarão os nossos filhos ás hortas para terem o que comer? Haverá ainda quem os ensine?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ainda a minha horta!!!


È viciante esta coisa da agricultura.
A minha pequena horta está bonita e a germinar vida,  e eu a descobrir coisas para a melhorar, e até reaproveitar outras que andava a desperdiçar.

Graças á falta de chuva aderi inconscientemente ao aproveitamento de águas, vendo a cara metade a encher garrafões de água que normalmente ia cano abaixo, começando eu também a aproveitar todas as gotas do precioso liquido. Não fazia ideia do desperdício que uma família  faz só em lavagens de legumes e afins.

Descobri recentemente que as borras de café são um belo adubo e comecei a aproveitar todas as cápsulas , inclusive os amigos aproveitam as deles para me dar….   
Sinto que me estou a tornar mais ecológico ao trabalhar este pequeno hobbie de forma o mais natural e biológica possível. No inicio da minha plantação tive de usar um produto químico para afastar a  lagarta que era ás centenas, mas fui descobrindo que  certas culturas afastam os bichinhos e fui ouvindo sugestões, seguindo alguns conselhos – tenho estado a aprender!
Acabei  de plantar alface roxa e repolhuda; a roxa tem-se mostrado mais resistente ao frio…

No meio disto tudo, há uma coisa que me incha o ego. Em casa agora só  querem  comer salada ( alfaces) de for da minha cultura – não é da horta do Ladrão não presta… não tem sabor. As minhas alfaces não tem aquele aspecto bonito das de estufa ( compra) e até as roxas afastam certas cabecinhas ignorantes, mas basta  provarem uma vez e ficam rendidos! Até os miúdos,  que são os críticos mais acérrimos nisto de saladas adoram a salada de alface “preta”- “ tem sabor”!!!